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quinta-feira, 18 de junho de 2009

MORRE LENTAMENTE - Pablo Neruda


“Quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos…
quem não muda de marca…
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente

quem faz da televisão o seu guru…
quem evita uma paixão…
quem prefere o negro sobre o branco, e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente

quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho…
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho…
quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente

quem não viaja…
quem não lê…
quem não ouve música…
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente

quem destrói o seu amor-próprio…
quem não se deixa ajudar…
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente

quem abandona um projecto antes de iniciá-lo…
não pergunta sobre um assunto que desconhece, ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”

1 comentário:

  1. Vem ver no nosso Blogue, a entrevista com a Alexandra do Bazar do Ronrons, e sabe a realidade dos gatos em Lisboa.
    http://esterilizacao-o.blogspot.com/

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